Archive for ‘Filosofia e Mito’

09/03/2016

Não voe tão alto e nem tão baixo


” CAMPBELL: Você está descrevendo exatamente “The Wast Land” ( A Terra Devastada) de T.S. Eliot, a estagnaçãoicaro sociológica de vidas inautênticas e de um viver que nos foi imposto e não tem nada a ver com a nossa vida espiritual, com nossas potencialidades ou até mesmo com nossa coragem física – até, claro, que isso nos lance numa dessas guerras desumanas.

MOYERS: Você não é contra a tecnologia, é?

CAMPBELL: De modo algum. Quando Dédalo, que pode ser visto como o patrono dos técnicos de grande parte da Grécia antiga, colocou em seu filho, Ícaro, as asas que ele tinha feito, de modo que este pudesse voar e escapar do labirinto de Creta*que o próprio Dédalo tinha inventado, ele disse: “Voe moderadamente. Não voe muito alto, senão os sol derreterá a cera das suas asas e você cairá. Não voe muito baixo, senão as ondas do mar o apanharão”. O próprio Dédalo voou moderadamente, mas viu o filho, em êxtase, voando muito alto. A cera derreteu e o rapaz caiu no mar. Por alguma razão, fala-se mais de Ícaro que de Dédalo, como se as asas, em si, fossem responsáveis pela queda do jovem astronauta. Mas nada se diz contra a indústria e a ciência. O Pobre Ícaro despencou nas águas; mas Dédalo, que voou moderadamente, conseguiu atingir a outra margem.

O Poder mo Mito, Joseph Campbell com Bill Moyers – A Saga do Herói.

 

*Dédalo (pai) e Ícaro (filho) foram condenados por Zeus e exilados na Ilha de Creta, quando Dédalo tomado por ciúme e medo de ter sua função tomada por outro, matou seu sobrinho Talo.

Márcia Cristina Nogueira.

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05/12/2015

A Alegoria da Caverna, de Sócrates


A Alegoria da Caverna – texto extraído do livro A República, de Platão (514a-517c).
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Sócrates: Agora imagine a nossa natureza, segundo o grau de educação que ela recebeu ou não, de acordo com o quadro que vou fazer.
Imagine, pois, homens que vivem em uma morada subterrânea em forma de caverna. A entrada se abre para a luz em toda a largura da fachada. Os homens estão no interior desde a infância, acorrentados pelas pernas e pelo pescoço, de modo que não podem mudar de lugar nem voltar a cabeça para ver algo que não esteja diante deles. A luz lhes vem de um fogo que queima por trás deles, ao longe, no alto. Entre os prisioneiros e o fogo, há um caminho que sobe. Imagine que esse caminho é cortado por um pequeno muro, semelhante ao tapume que os exibidores de marionetes dispõem entre eles e o público, acima do qual manobram as marionetes e apresentam o espetáculo. 
 
Glauco: Entendo Sócrates: 
 
Então, ao longo desse pequeno muro, imagine homens que carregam todo o tipo de objetos fabricados, ultrapassando a altura do muro; estátuas de homens, figuras de animais, de pedra, madeira ou qualquer outro material. Provavelmente, entre os carregadores que desfilam ao longo do muro, alguns falam, outros se calam. Glauco: Estranha descrição e estranhos prisioneiros! Sócrates: Eles são semelhantes a nós. Primeiro, você pensa que, na situação deles, eles tenham visto algo mais do que as sombras de si mesmos e dos vizinhos que o fogo projeta na parede da caverna à sua frente? Glauco: Como isso seria possível, se durante toda a vida eles estão condenados a ficar com a cabeça imóvel? Sócrates: Não acontece o mesmo com os objetos que desfilam? Glauco: É claro. Sócrates: Então, se eles pudessem conversar, não acha que, nomeando as sombras que vêem, pensariam nomear seres reais? 
 
Glauco: Evidentemente. 
 
Sócrates: E se, além disso, houvesse um eco vindo da parede diante deles, quando um dos que passam ao longo do pequeno muro falasse, não acha que eles tomariam essa voz pela da sombra que desfila à sua frente? Glauco: Sim, por Zeus. Sócrates: Assim sendo, os homens que estão nessas condições não poderiam considerar nada como verdadeiro, a não ser as sombras dos objetos fabricados. Glauco: Não poderia ser de outra forma. Sócrates: Veja agora o que aconteceria se eles fossem libertados de suas correntes e curados de sua desrazão. Tudo não aconteceria naturalmente como vou dizer? Se um desses homens fosse solto, forçado subitamente a levantar-se, a virar a cabeça, a andar, a olhar para o lado da luz, todos esses movimentos o fariam sofrer; ele ficaria ofuscado e não poderia distinguir os objetos, dos quais via apenas as sombras anteriormente. Na sua opinião, o que ele poderia responder se lhe dissessem que, antes, ele só via coisas sem consistência, que agora ele está mais perto da realidade, voltado para objetos mais reais, e que está vendo melhor? O que ele responderia se lhe designassem cada um dos objetos que desfilam, obrigando-o com perguntas, a dizer o que são? Não acha que ele ficaria embaraçado e que as sombras que ele via antes lhe pareceriam mais verdadeiras do que os objetos que lhe mostram agora? Glauco: Certamente, elas lhe pareceriam mais verdadeiras. Sócrates: E se o forçassem a olhar para a própria luz, não achas que os olhos lhe doeriam, que ele viraria as costas e voltaria para as coisas que pode olhar e que as consideraria verdadeiramente mais nítidas do que as coisas que lhe mostram? 
 
Glauco: Sem dúvida alguma. 
 
Sócrates: E se o tirarem de lá à força, se o fizessem subir o íngreme caminho montanhoso, se não o largassem até arrastá-lo para a luz do sol, ele não sofreria e se irritaria ao ser assim empurrado para fora? E, chegando à luz, com os olhos ofuscados pelo brilho, não seria capaz de ver nenhum desses objetos, que nós afirmamos agora serem verdadeiros. Glauco: Ele não poderá vê-los, pelo menos nos primeiros momentos. Sócrates: É preciso que ele se habitue, para que possa ver as coisas do alto. Primeiro, ele distinguirá mais facilmente as sombras, depois, as imagens dos homens e dos outros objetos refletidas na água, depois os próprios objetos. Em segundo lugar, durante a noite, ele poderá contemplar as constelações e o próprio céu, e voltar o olhar para a luz dos astros e da lua mais facilmente que durante o dia para o sol e para a luz do sol. Glauco: Sem dúvida. Sócrates: Finalmente, ele poderá contemplar o sol, não o seu reflexo nas águas ou em outra superfície lisa, mas o próprio sol, no lugar do sol, o sol tal como é. Glauco: Certamente. Sócrates: Depois disso, poderá raciocinar a respeito do sol, concluir que é ele que produz as estações e os anos, que governa tudo no mundo visível, e que é, de algum modo a causa de tudo o que ele e seus companheiros viam na caverna. Glauco: É indubitável que ele chegará a essa conclusão. Sócrates: Nesse momento, se ele se lembrar de sua primeira morada, da ciência que ali se possuía e de seus antigos companheiros, não acha que ficaria feliz com a mudança e teria pena deles? 
 
Glauco: Claro que sim.
 
 Sócrates: Quanto às honras e louvores que eles se atribuíam mutuamente outrora, quanto às recompensas concedidas àquele que fosse dotado de uma visão mais aguda para discernir a passagem das sombras na parede e de uma memória mais fiel para se lembrar com exatidão daquelas que precedem certas outras ou que lhes sucedem, as que vêm juntas, e que, por isso mesmo, era o mais hábil para conjeturar a que viria depois, acha que nosso homem teria inveja dele, que as honras e a confiança assim adquiridas entre os companheiros lhe dariam inveja? Ele não pensaria antes, como o herói de Homero, que mais vale “viver como escravo de um lavrador” e suportar qualquer provação do que voltar à visão ilusória da caverna e viver como se vive lá? 
 
Glauco: Concordo com você. 
 
Ele aceitaria qualquer provação para não viver como se vive lá. Sócrates: Reflita ainda nisto: suponha que esse homem volte à caverna e retome o seu antigo lugar. Desta vez, não seria pelas trevas que ele teria os olhos ofuscados, ao vir diretamente do sol? 
 
Glauco: Naturalmente. 
 
Sócrates: E se ele tivesse que emitir de novo um juízo sobre as sombras e entrar em competição com os prisioneiros que continuaram acorrentados, enquanto sua vista ainda está confusa, seus olhos ainda não se recompuseram, enquanto lhe deram um tempo curto demais para acostumar-se com a escuridão, ele não ficaria ridículo? Os prisioneiros não diriam que, depois de ter ido até o alto, voltou com a vista perdida, que não vale mesmo a pena subir até lá? E se alguém tentasse retirar os seus laços, fazê-los subir, você acredita que, se pudessem agarrá-lo e executá-lo, não o matariam?
 
 Glauco: Sem dúvida alguma, eles o matariam. 
 
Sócrates: E agora, meu caro Glauco, é preciso aplicar exatamente essa alegoria ao que dissemos anteriormente. Devemos assimilar o mundo que apreendemos pela vista à estada na prisão, a luz do fogo que ilumina a caverna à ação do sol. Quanto à subida e à contemplação do que há no alto, considera que se trata da ascensão da alma até o lugar inteligível, e não te enganarás sobre minha esperança, já que desejas conhecê-la. Deus sabe se há alguma possibilidade de que ela seja fundada sobre a verdade. Em todo o caso eis o que me aparece tal como me aparece; nos últimos limites do mundo inteligível aparece-me a ideia do Bem, que se percebe com dificuldade, mas que não se pode ver sem concluir que ela é a causa de tudo o que há de reto e de belo. No mundo visível, ela gera a luz e o senhor da luz, no mundo inteligível ela própria é a soberana que dispensa a verdade e a inteligência. Acrescento que é preciso vê-la se quer comportar-se com sabedoria, seja na vida privada, seja na vida pública. 
 
Glauco: Tanto quanto sou capaz de compreender-te, concordo contigo. 
06/01/2014

Sakura – O Mito da Flor de Cerejeira


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A lenda Japonesa nos ensina que as flores de cerejeira são o símbolo da Deusa Kono-Hana-Sakuya-Hime (Princesa Florida Brilhantemente como as Flores das Árvores), a filha da deidade “Possuidor da Grande Montanha”.   Ela representa o feminino, o amor e a renovação.

A Deusa Konohana Sakuya Hime mora no Monte Fuji e os japoneses acreditam que ela protege o local para o vulcão não entre em erupção, além de ser venerada para proteger as colheitas.

Os samurais, os guerreiros japoneses, eram grandes apreciadores da flor de cerejeira. A cerejeira é também associada à efemeridade da existência humana e ao lema dos samurais: viver o presente sem medo.

O Monte Fugi é um dos locais aonde se localiza um dos chacras da Terra e lá existe uma das cidades cristalinas do astral.

Consorte do Deus Ninigi, filho da Deusa Sol Amaterasu, este desceu ao nosso plano com a responsabilidade de reorganizar o caos aqui estabelecido nas interrelaçoes deuses e humanidade. Eles tiveram dois filhos, Ho-no-susori  e Hiko-hoho-demi, dos quais o primeiro se tornou o ancestral de Jimmu, o sábio e inspirado poeta imperador do Japão, a quem por sua vez é atribuída a inspiração do Mestre Mikao Usui, sintonizador do Reiki no nosso plano, nessa atualidade, naquela oração que usamos, a meditação Ghasso:

Só por hoje, não se irrite, não se zangue;

Só por hoje, não se preocupe;

Só por hoje, respeite os mestres, os professores, os mais velhos;

Só por hoje, seja gentil e amoroso com todos os seres;

Só por hoje, trabalhe honestamente.

No Japão, a florada das cerejeiras começa no sul e estende-se até o norte do país. As pessoas acompanham pelos meios de comunicação as previsões meteorológicas da sakura senzen – a linha da floração que se espalha pelo Japão.

As árvores perdem todas as suas folhas e logo vêm as flores (sakura, em japonês), com tons que variam de branco até o rosado, anunciando o fim do rigoroso inverno japonês. As pessoas então sentam-se em multidões sob as copas floridas das cerejeiras e fazem piquenique, para observar as flores. A prática tradicional “hanami”, que existe desde há séculos, até hoje.

 

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