Autoconhecimento e Harmonia


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“A maior parte da infelicidade humana deriva do fato de o homem não conhecer a sí próprio, de não saber distinguir, dentre as múltiplas flutuações da sua psique, sua essência íntima e verdadeira, sua nota permanente.

 

 

É raro encontrar um indivíduo em perfeita harmonia consigo mesmo, capaz de dar expressão ao seu “eu” real, e de chegar à autorrealização, que é fonte de equilíbrio, de bem estar e de serenidade.

Eis por que se dá tanta ênfase à importância do autoconhecimento e dos estudos psicológicos. Na verdade, o autoconhecimento não é , de fato, um alvo em si mesmo, porém estabelece a base para a reconstrução e harmonização da psique e para o reconhecimento do verdadeiro eu, que é a força integrante da personalidade.

Esse é o processo da individuação de que fala Jung, a psicossíntese de Assagioli, a luta pela autorrealização de Karen Horney, que, no prefácio de seu livro Neurose e Desenvolvimento da Personalidade, diz:     ” O conhecimento de si próprio não é… um escopo por si mesmo, e sim o meio de liberar a energia do desenvolvimento espontâneo. Nesse sentido, ocuparmo-nos de nós mesmos torna-se não só a mais importante obrigação moral, como, ao mesmo tempo, e no autêntico significado da palavra, o mais importante privilégio moral”.

É claro, pois, que se quisermos realmente encontrar o equilíbrio dentro de nós – alcançando, assim, a expressão do nosso verdadeiro eu – devemos começar pelo autoconhecimento. Isso não só nos trará serenidade e harmonia mas nos fará capazes de compreender melhor os outros, ama-los, auxilia-los, fazendo-nos fontes de bem e de força para todos aqueles que encontrarmos.

A aspiração ao conhecimento não é, todavia, sintoma de egocentrismo, e sim uma necessidade real do homem, de uma existência profunda e construtiva, que trará, em seguida, resultados úteis e benéficos para a própria pessoa e para os demais.”

Os Sete Temperamentos Humanos, Angela Maria La Sala Batá, Ed. Pensamento.

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Não voe tão alto e nem tão baixo


” CAMPBELL: Você está descrevendo exatamente “The Wast Land” ( A Terra Devastada) de T.S. Eliot, a estagnaçãoicaro sociológica de vidas inautênticas e de um viver que nos foi imposto e não tem nada a ver com a nossa vida espiritual, com nossas potencialidades ou até mesmo com nossa coragem física – até, claro, que isso nos lance numa dessas guerras desumanas.

MOYERS: Você não é contra a tecnologia, é?

CAMPBELL: De modo algum. Quando Dédalo, que pode ser visto como o patrono dos técnicos de grande parte da Grécia antiga, colocou em seu filho, Ícaro, as asas que ele tinha feito, de modo que este pudesse voar e escapar do labirinto de Creta*que o próprio Dédalo tinha inventado, ele disse: “Voe moderadamente. Não voe muito alto, senão os sol derreterá a cera das suas asas e você cairá. Não voe muito baixo, senão as ondas do mar o apanharão”. O próprio Dédalo voou moderadamente, mas viu o filho, em êxtase, voando muito alto. A cera derreteu e o rapaz caiu no mar. Por alguma razão, fala-se mais de Ícaro que de Dédalo, como se as asas, em si, fossem responsáveis pela queda do jovem astronauta. Mas nada se diz contra a indústria e a ciência. O Pobre Ícaro despencou nas águas; mas Dédalo, que voou moderadamente, conseguiu atingir a outra margem.

O Poder mo Mito, Joseph Campbell com Bill Moyers – A Saga do Herói.

 

*Dédalo (pai) e Ícaro (filho) foram condenados por Zeus e exilados na Ilha de Creta, quando Dédalo tomado por ciúme e medo de ter sua função tomada por outro, matou seu sobrinho Talo.

Márcia Cristina Nogueira.